Por Rosane Possamai de Freitas | Novembro de 2020
Um sorriso do meu coração para o coração de vocês. (Carola Castillo)
Em nossa jornada evolutiva temos a única certeza, que é a da constante mudança. A mudança envolve abrir mão de algo, seja um padrão, uma atitude, um pensamento, um planejamento, profissão, relacionamento, enfim, podemos citar vários itens, em prol do novo.
Esse novo chega com possibilidades, oportunidades, novas formas de fazer, além de seus mistérios e desafios. Como virar essa chave da mudança? Saindo do padrão já conhecido para o novo e desconhecido.
Segundo Levine (2012, p. 19) “por maior que seja nossa autoconfiança, em uma fração de segundos a vida pode ser totalmente destruída. [...] ficamos congelados pelo medo e pelo desespero”.
Logo, com nosso instinto de sobrevivência, criamos estratégias, em virtude desses medos, onde muitas vezes preferimos nos manter na zona confortável do conhecido, e com receio de revivermos traumas, situações que nos provocaram um forte impacto.
Segundo Chopra (2012, p.57), “A realidade é uma interpretação. Se você escolher interpretá-la por esse novo ângulo, terá muitos mestres à sua volta e muitas oportunidades para evoluir.”
Sendo assim, é possível perceber que traumas são interpretações de acontecimentos. Como seres que somos, temos o poder de nos adaptarmos e autorregularmos aos acontecimentos.
De acordo com Levine (2012, p.27) “a capacidade de autorregulação é o que nos permite lidar com nosso estado de ativação e nossas emoções mais difíceis, fornecendo assim a base do equilíbrio entre uma autonomia autêntica e uma sociabilidade saudável."
Nesta capacidade de autorregulação buscamos ao passado o que está no presente, aprendemos no passado o que temos que mudar. Essas mudanças estão relacionadas ao nosso poder de evolução e crescimento. Quando por repetidas vezes algo acontece, está pedindo que seja visto e modificado.
Vemos no programa repetição, essas repetições, são nosso sistema de crença, também nossa zona de conforto, assim, tudo o que é diferente do que aprendi é desconfortável.
Permanecemos na zona confortável, até que a vida venha e nos sacode, aí fazemos mudanças. Essa zona confortável tem um guardião, esse guardião faz de tudo para proteger, manter na zona confortável, evitando a dor e sofrimento que nossas interpretações dos fatos provocaram.
Essas interpretações de fatos, geram o julgamento, que é parte da programação. Através das memórias planifico o que vai acontecer. O que não está no programa é rejeitado, por isso não estamos abertos a mudança.
Um recurso para esta abertura às mudanças, são as constelações sistêmicas, que segundo Castillo (2016, p. 41) “As constelações buscam nos abrir a consciência a respeito das consequências das nossas ações na vida, para, assim, nos aproximarmos de sermos atores responsáveis.” Atores responsáveis, dessa mudança e evolução.
Conforme Castillo (2016, p. 12) “O melhor é crescer, o melhor é assumir a responsabilidade pelo seu próprio roteiro”. Quando assumimos a nossa responsabilidade, estamos conectados ao estado de presença e atentos ao reconhecimento de fatos que aconteceram, assumimos a responsabilidade de fazer escolhas, escolhas mais conscientes, assumindo nosso próprio roteiro.
De acordo com Castillo (2016, p. 48) Quando reconhecemos, podemos nos responsabilizar pelo que estamos vivendo, e assim, podemos crescer, pois deixamos de ser inocentes.
Esta responsabilidade e reconhecimento, possibilita transitar no estado de presença e fluxo, visualizando as oportunidades e possibilidades que a vida nos traz.
Segundo Levine (2012, p. 49) “A habilidade de transitar sem dificuldades entre esses estados emocionais intensos é popularmente chamada de “fluxo”, de “estar presente” ou “no momento atual” em contraposição a estar preso na sua história passada.”
“A entrega é a sabedoria simples mas profunda de nos submetermos e não nos opormos ao fluxo da vida. O único lugar em que podemos sentir o fluxo da vida é no Agora. Isso significa que se entregar é aceitar o momento presente sem restrições e sem nenhuma reserva. É abandonar a resistência interior àquilo que é.” (TOLLER, 2002, p. 199).
Quando abandonamos as resistências, percebemos que não existem problemas, existem recursos, onde coloco meu foco está a minha energia. Conforme vamos caminhando vamos resolvendo.
“Não existem problemas. Apenas situações com que temos que lidar agora ou deixar para o lado e aceitar como parte do “ser” neste momento, até que se transformem ou possam ser negociadas. Os problemas são criados pela mente e precisam de tempo para sobreviver. Eles não conseguem sobreviver na atualidade do agora.” (TOLLER, 2002, p. 67).
No agora, percebemos o quanto a Energia se transforma, tudo que se torna hábito, se rompe. Somos responsáveis pelo que estamos buscando.
Responsabilidade é a transformação, é tarefa do adulto, crescer, assumir a criança e amadurecer.
Segundo Castillo (2016, p. 64) “tudo na vida tem um processo, tudo tem um vencimento, tudo tem seu nome e seu espaço, por isso há coisas que prevalecem e outras não.”
Assim, caminhamos e seguimos, nas mudanças conscientes que a vida nos possibilita.
REFERÊNCIAS
CASTILLO, Carola. Ecos do passado: trabalho terapêutico sistêmico em Constelações Familiares. Curitiba: Artêra, 2016.
CHOPRA, Deepak. As Sete Leis Espirituais do Sucesso. 60ª Ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2012.
LEVINE, Peter A. Uma Voz sem Palavras: Como o Corpo Libera o Trauma e Restaura o Bem-Estar. São Paulo: Summus, 2012.
TOLLE, Eckhart. O Poder do Agora: Um guia para a Iluminação Espiritual. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.