jogo-tabuleiro02.jpg

Por Rosane Possamai de Freitas | Outubro de 2019

 

É de nosso ser o “ajudar” e esse ajudar é instintivo, humano e equilibrado. O importante é estarmos atentos aos excessos da ajuda.

Quando identificamos pessoas próximas de nós com dificuldades ou transitando por caminhos sinuosos, e pela experiência/conhecimento adquirido é possível entramos no excesso da ajuda.

Por vezes neste excesso e urgência em ajudar, desrespeitamos o momento, a jornada e experiências nossa e do outro. Provocando consequências pessoais, em grupos, profissionais e sistêmicas.

O equilíbrio se apresenta quando respeitamos as cinco regras nas ordens da ajuda:

1- Não podemos dar o que não temos: Regra vinculada com a lei do equilíbrio entre dar e receber/tomar;

2- Algumas circunstâncias não podem ser modificadas: Importante a humildade nas escolhas em até que ponto é possível agir;

3- Vamos decepcionar os clientes: Apresentar ao cliente a auto responsabilidade;

4- O indivíduo é parte de um todo: Atentar e respeitar o sistema como um todo;

5- As constelações unem o que estava separado antes: Integração do todo.

 

Abaixo faremos uma reflexão e interconexão entre cada uma das regras.

Dentro das ordens da ajuda, o equilíbrio entre dar e receber está vinculado a que não podemos dar o que não temos, não podemos esperar o que o outro não tem para nos dar. Respeitar este limite nos coloca no lugar da humildade.

Segundo Hellinger (2019, p.14) “A primeira ordem da ajuda consiste, portanto, em dar apenas o que se tem e somente esperar e tomar o que se necessita”.

Ainda Hellinger (2019, p.14) “Nas constelações familiares nos é mostrado o que o ajudante deve exigir, tanto desse como daquele que procurar sua ajuda."

Importante atentar à percepção e humildade, evitando a projeção e expectativa de como atuar e como agir. 

Também atentar às circunstâncias que não podem ser modificadas. Reconhecer o que é, e deixar a pessoa ir.

 

“Para muito os ajudantes pode ser que o destino do outro pareça ser difícil e por isso querem muda-lo. Entretanto, muitas vezes, não porque o outro precise o queira, mas porque os próprios ajudantes não conseguem suportar esse destino. E quando o outro, mesmo assim, se deixe ajudar por eles, não é tanto por que precise disso, mas por que deseja ajudar o ajudante. Então, essa ajuda se torna e o tomar a ajuda”. (HELLINGER, 2019, p. 15).

 

Na relação terapeuta e clientes, é importante respeitar os limites de até onde é possível ir, o quanto é suficiente, são relevantes após o momento da consulta, no momento onde o cliente fará suas escolhas.

Segundo Hellinger (2019, p.14) “A segunda ordem da ajuda é nos submetemos a circunstâncias e somente interferir e apoiar a medida que elas o permitirem. Essa ajuda discreta e tem força”.

Dentro do apoio, somente até onde é possível, por vezes podemos decepcionar nossos clientes.

Um terapeuta acompanha para que o cliente encontre os recursos de ajuda, como adulto e com auto responsabilidade de suas escolhas.

 

“A desordem da ajuda aqui é permitir que um adulto faça reivindicações ao ajudante como uma criança aos seus pais, e que o ajudante trate o cliente como uma criança, para poupa-lo de algo que ele mesmo precisa e deve carregar - a responsabilidade e as consequências“. (HELLINGER, 2019, p. 17).

 

A cada escolha, temos a responsabilidade de assumir as consequências. Muito importante tanto o ajudante/terapeuta, quanto o cliente estejam conscientes de que o indivíduo é parte de um todo, de uma família, de um sistema, de um contexto, a terceira ordem.

Olhamos para o sistema, localizando sempre o presente. O que você precisa agora? Esse olhar, essa escolha no agora, reverbera no sistema como um todo.

Segundo Hellinger (2019, p.18) “A empatia do ajudante deve ser menos pessoal, mas sobretudo sistêmica. Ele não se envolve em um relacionamento pessoal com o cliente. Essa é a quarta ordem da ajuda”.

A conexão com o todo, o respeito com o sistema, contribuiu para que os próximos passos sejam dados pelo cliente.

Ainda Hellinger (2019, p.111) “Quando ajudamos alguém, precisamos respeitar e nos conectarmos com esse destino e com aquilo que o provocou”.

O respeito em olhar o sistema como um todo, honrar e colocar os pais no coração, permite que só ofereço para o outro aquilo que é possível para ele receber. Com auto respeito, respeito ao próximo, respeito à vida.

Segundo Hellinger (2019, p.116) "Olhamos para algo maior. Colocamos em primeiro lugar os seus pais em nosso coração, com respeito, e nos curvamos diante deles.”

Honrando a história, até onde é possível, percebemos o quanto cada um de nós nasceu para manifestar a glória de Deus. Que está dentro de nós. Luz própria, brilhar. Através deste reconhecimento, assim damos ao outro esta oportunidade”.

As constelações estão a serviço da reconciliação e da paz. As constelações unem o que estava separado antes.

 

“A quinta ordem da ajuda é, portanto, o amor a cada um como ele é, por mais que ele seja diferente de mim. Dessa forma, o ajudante abrindo seu coração, tornando-se parte dele. Aquilo que se reconciliou em seu coração, também pode se reconciliar no sistema do cliente“. (HELLINGER, 2019, P. 19).

 

Quando a reconciliação e acolhimento acontecem no coração, livre de julgamentos, com respeito e amor é possível seguir na vida, com força.


“Olho para aqueles com profundo respeito e amor. Então, olhe para o seus ancestrais e o seus destinos de seus familiares e me curvo profundamente, entrando assim em sintonia com esses destinos, com todo o pano de fundo e com a grande alma que atua aí.” (HELLINGER, 2019, p.112.)

 

Através do reconhecimento, aceitando como foi, ganhamos força para as novas escolhas. De acordo com Hellinger (2019, p.117) “É fonte de força, quando se reconhece o passado e se concorda com ele, como foi”.

Para contribuir com o terapeuta, no momento da consulta, ao lado do cliente, utilizar-se dos recursos das formas diversas de conhecimento, que conforme Hellinger (2019, p.118), são:

  • A observação: é precisa e direcionada para os detalhes;
  • A percepção: é distanciada, abrangente e ganha a visão do todo;
  • A compreensão: é baseada na observação e percepção, compreendendo um todo;
  • A intuição: é a compreensão súbita da próxima ação a ser realizada;
  • A sintonia: é a percepção que vem de dentro, em um sentido amplo. Ajuda que conduz a ação. 

 

Essas formas de conhecimento estão interligadas, esta complementação entre elas, permite a riqueza na identificação dos emaranhados, para reconciliação e acolhimento no coração, o que libera e permite seguir em sintonia.

 

"Em sintonia, eu me despeço de minhas próprias intenções, meu julgamento, meu superego e daquilo que ele quer, do que eu devo e do que preciso fazer. [...] sintonia é passageira, dura somente o tempo que dura a ação que ajuda. Depois disso cada um volta a sua vibração especial.” (HELLINGER, 2019, p.118).

 

Ajudar em sintonia com a alma, dura durante o tempo desta ajuda, possibilitando que cada um siga desconectando-se e em sua vibração, com respeito e amor.

 

REFERÊNCIAS

HELLINGER, Bert. O Amor do Espírito na Hellinger Sciencia. Belo Horizonte: Atman, 2019.

______. Ordens da Ajuda. Belo Horizonte: Atman, 2019.