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Por Rosane Possamai de Freitas | Maio de 2020

O estado de presença, no presente, permite a tomada de consciência e as escolhas de qual direcionamento, qual caminho na jornada da vida, e evolução, cada um de nó seguirá.

Quando estamos neste estado, estamos alinhados com nossos pensamentos, sentimentos e emoções, onde o estado adulto, decide e segue.

 

“O estado de pura consciência. Nesse estado, sentimos a nossa própria presença com tal intensidade e alegria que os pensamentos, as emoções, nosso corpo, o mundo exterior – tudo se torna insignificante comparado a ele. No entanto, não é um estado egoísta, e sim generoso. Ele nos transporta para um ponto além do que antes julgávamos ser o nosso “eu interior” (TOLLE, 2016, p.115).”

 

Conectados ao nosso “eu interior”, no estado de presença, consciência no aqui e no agora, podemos perceber as alternativas que se apresentam, assim, o estado de mente está em um estado consciente, alerta, aberto.

Segundo Tolle (2016, p. 155) O momento presente tem a chave para a libertação. Mas você não conseguirá percebê-lo enquanto você for a sua mente.

O momento presente, nos deixa conscientes em qual estado de ego estamos atuando.

De acordo com os conceitos apresentados em aula, através do estudo de Eric Berne, podemos transitar entre o estado de ego pai, estado de ego criança, e estado de ego adulto.

No estado de ego criança, podemos estar na criança livre, na criança submissa ou na criança rebelde.

No estado de ego pai, podemos estar, no estado pai crítico, ou no estado pai protetor.

Os estados de ego em suas dimensões: valores, racional, emocional, dentro dos conceitos de vida recebida, aprendido e sentido, possuem características

positivas e negativas, onde os jogos podem acontecer ou não, de acordo com as adaptações, necessárias ou não conforme as emoções, nosso estado consciente de fazer e agir, ou no pensar com normas e regras.

1- Estado do Ego Criança: É o conceito de vida sentido, nos conecta com as emoções.

2- Estado de Ego Pai: É o conceito de vida recebido, figuras de referência e autoridade para nós, as regras, as normas que dizem o pode e o que não pode.

3- Adaptação. Estado em que entramos para sermos aceitos, reconhecidos, ter o que precisamos para sobreviver ou somos criança boazinha ou criança rebelde. Sistemas de adaptação e sobrevivência onde recebemos regras de pertencimento e fidelidade é aqui que nos identificamos com os excluídos da família. Neste ponto, faz com que sintamos culpa.

4- Estado de Ego Adulto: É o conceito de vida aprendido, a informação ou situação chega, neste estado interpretamos e fazemos. Este estado é o responsável pelo agir.

No estado de Ego Adulto, vivemos no aqui e agora, em estado de presença, estarmos conscientes da presença é importante, em virtude da tendência natural que

temos em nos adaptarmos para pertencermos, o que fazíamos na infância para tal aceitação/pertencimento?

Segundo Bryson (2019, p.92) “Temos a tendência de reproduzir na vida atual as da aprendizagem de nossa infância, mas normalmente elas não se encaixa mais em nosso contexto presente.”

Dentro do contexto presente, trazendo para consciência os três estados do ego, e seus pontos, se torna mais fácil sermos observadores de nós mesmos , nos tornando responsáveis em transitar pelas características positivas de cada estado.

Nossos três estados, são: criança, adulto e pai, atuam o tempo inteiro, através da ação, paralisação, congelamento, ou o seguir. Em momentos, podemos sentir confusão, dualidade, conflitos, então, o ideal é: Respirar, observar e seguir.

Na criança, temos as cinco emoções básicas: alegria, medo, amor, raiva e tristeza. São emoções autenticas primárias, onde quando fazemos adaptações vamos as secundárias.

Nas adaptações temos:

 

· Na criança livre:

o no negativo: egoísta, impulsiva, grosseira e cruel;

o no positivo: autêntica, curiosa, criativa, a da intuição;

· Na criança submissa:

o no negativo: sentimos ansiedade, insegurança, vergonha, timidez, medo, culpa, depressão, inadequação, impotência, falsa alegria, e bonzinho;

o no positivo: adaptável, disciplinada;

· Na criança rebelde:

o no negativo: sentimos rancor, ironia, raiva, ódio, ciúmes, inveja, mágoa, ressentimentos;

o no positivo: a contestação, a adequada a rebeldia positiva.

 

Essas adaptações e as emoções são mecanismos que utilizamos para sermos reconhecidos e aceitos.

Nos estados de Ego Pai, que é o nosso conceito de vida, sentido aqui aprendido aqui, como recebo as normas, os valores, as regras, o que pode, o que não pode, neste estado, também temos aspectos negativos e positivos, onde:

 

· No pai crítico, temos:

o no negativo: o agressor, o perseguidor humilhante, o preconceituoso, o que faz exigências. Frases que aparecem frequentemente: “Tem que...”, “deveria fazer...”, “se fosse você...”;

o no positivo: exigente, justo, firme, ordenador e ético;

· Pai protetor, temos:

o no negativo: o super protetor, o salvador, o meloso, o que impede o desenvolvimento. Frases que aparecem frequentemente, no estágio rígido: “nunca”, “sempre”, “tem que”;

o no positivo: o apoiador, o orientador, o que estimula, o que acolhe, o que desenvolve.

 

No estado de Ego adulto, temos o conceito de vida aprendido, onde nos aspectos negativos e positivos, apresenta:

 

· Ego adulto:

o no negativo: o que manipula, o robotizado e o desonesto.

o no positivo: o racional, o objetivo, o ético, e o processador. Ainda neste estado possui características: Franco, direto, responsável, ético. As ações acontecem no estado de presença.

 

Através do estado de presença, nossa mente, permanece no aqui e agora, conforme Eckhart Tolle, transitando entre passado e futuro, estamos em condicionamentos pessoais ou culturais.

 

“No processo de crescimento, construímos uma imagem mental de nós mesmos, baseada em nosso condicionamento pessoal e cultural. Podemos chamar isso de “o fantasma pessoal do ego”. Consiste em uma atividade mental e só pode ser mantido através do pensar constante. A palavra “ego” tem sentidos diferentes para pessoas diferentes, mas aqui significa um falso eu interior, criado por uma identificação inconsciente com a mente. Para o ego, o momento presente dificilmente existe. Só o passado e o futuro são considerados importantes. Essa total inversão da verdade explica por que, para o ego, a mente não tem função. O ego está sempre preocupado em manter o passado vivo, porque pensa que sem ele não seríamos ninguém. E se projeta no futuro para assegurar a continuação da sua sobrevivência e buscar algum tipo de escape ou satisfação lá adiante. Ele diz assim: “Um dia, quando isso ou aquilo acontecer, vou ficar bem, feliz, em paz”. Mesmo quando o ego parece estar preocupado com o presente, não é o presente que ele vê, porque constrói uma imagem completamente distorcida, a partir do passado. Ou então reduz o presente a um meio para obter o fim desejado, um fim que sempre consiste em um futuro projetado pela mente. Observe sua mente e verá que é assim que ela funciona.” (TOLLE, 2016, p. 142).

 

No estado de presença, é importante confiar na capacidade humana de auto organizar. Tudo são aprendizados. Buscamos no centro do nosso ser, e no centro encontramos o equilíbrio e tudo vai para os seus lugares.

As escolhas conscientes são feitas pelo estado de ego adulto. O adulto sempre busca o centro, neste centro estamos conscientes. No estado adulto o ego positivo é a presença. É o único estado de ego que não entra em jogos.

No estado adulto, tomamos a vida diferente de sobreviver a ela, tomando a vida com nossas reais necessidades. Com o que preciso integralmente dizendo sim as coisas como são, fazendo deste sim, os passos de seguir para o novo, com consciência e auto responsabilidade.

No estado de presença eu posso escolher, não é necessário reagir, posso escolher o como agir.

Segundo Eric Berne, todos nós nascemos, todos nós temos recursos para ser quem somos. No estado de presença, identificamos o que nos pertence e o que pertence ao outro. Também, neste estado, estamos atentos ao que o outro quer de nós com determinada atitude. Nas transações de relações, podemos estabelecer alguns jogos e ficar em emaranhados.

Os jogos são artifícios aprendidos na infância para superar a necessidade. Por exemplo: Quando a oferta de carícia é menor que a procura se estabelece o jogo.

 

Una serie de operaciones constituyen un «juego». Lo definimos como una serie recurrente de transacciones, a menudo repetitiva, superficialmente racional, con una motivación oculta; o más coloquialmente, una serie de operaciones con «truco» (BERNE, 2016, p.927).

 

Os jogos são estabelecidos, quando um triângulo dramático se estabelece, que segundo ANDRADE (1944, p.8569) “inventado por Stephen B. Karpman, ao observar que os jogos contêm os mesmos personagens e elementos da tragédia grega, em um sistema fechado, o triângulo, no qual pessoas desempenham os papéis de perseguidor, vítima e salvador”.

Todos os jogos têm uma finalidade, é importante estar atento como sair desta triangulação entre salvador, perseguidor e vítima. Sendo a saída de modo geral, agir como adulto.

Algumas perguntas, possibilitam identificar a possibilidade de entrar nesses jogos. Quando a minha necessidade de carícia não é suprida? Qual a porta de entrada? Por onde somos chamados? Qual a isca para entrar no jogo?

Alguns jogos que são estabelecidos: “veja o que você me fez fazer”. “Foi você que me meteu nisso”. “Se não fosse por…” “Veja o esforço que eu fiz”.

Para evitar de entrar nesses jogos, o estado de presença é fundamental. O importante é estarmos conscientes. Perguntando: O que você quer, no presente?

Ao estarmos no estado de presença adulto não entramos em jogos.

 

“Las tres necesidades del ego se corresponden con los tres roles del triángulo dramático

Ante todo, los Perseguidores buscan control.

Ante todo, los Salvadores buscan aprobación.

Ante todo, las Víctimas buscan seguridade.” (EDWARDS, 2011, p.556).

 

Como evitar jogos:

 

1. Use o adulto;

2. De carícias positivas;

3. Não atue na no Salvador, não ajude quem não pede;

4. Não atue como perseguidor;

5. Não criticar nem rebater o outro;

6. Não atuar como vítima, responsabilize-se pelos seus próprios sentimentos, responsabilize-se pela vida.

 

Atenção a auto responsabilidade de nossos atos, onde para cada atitude e decisão que tomamos, geramos consequências.

 

“Devemos estar atentos as consequências de todos os nossos atos, que são sempre muito mais do que imaginamos. Em geral, pensamos que as consequências poderiam ser duas ou três, mas na realidade resultam ser mais de 10, e nesses casos devemos ter uma atitude de força interna para dizer: “estas são as minhas consequências e assumo todas elas”. (CASTILLO, 2016, p.103).”

 

A auto responsabilidade nos traz a liberdade de recebermos o que ofertamos, em uma relação de troca evolutiva.

 

“Cada vez que tomamos uma decisão, devemos estar atentos a nossa cota de responsabilidade. Temos a tendência de responsabilizar os demais por muitas das coisas que nos acontece, boas e más. Quem está se abrindo para algo maravilhoso, ou quem está agredindo a si mesmo, mas você resiste a essa verdade. O que corresponde então é aprender assume lá e carregá-la, que já é bastante. Os que se sentem no direito de prejudicar os demais, não sabem o dano que estão fazendo assim mesmos. Em troca, quando somos bons com a vida, ela é boa conosco.”. (CASTILLO, 2016, p.103).”

 

Segundo Franke (2016, p.61) “O corpo está sempre em ressonância com os acontecimentos atuais e os conteúdos dos pensamentos, recordações e ideias.”

Estar ressonante com o corpo, é estar em estado de presença, que sinais ele nos traz?

*Artigo desenvolvido para a conclusão do módulo de Abordagem sistêmica em Psicologia e Análise Transacional, conduzido por Eunice Brito, pela UCS - Universidade de Caxias do Sul e CELPI.

 

REFERÊNCIAS

 

ANDRADE, Antônio de. Análise Transacional para o desenvolvimento interpessoal. 1944. E-book kindle,

BERNE, Eric. Más Allá de Juegos y Guiones. Uma selección de todas las obras del creador del Análisis Transacional. Sevilla: Jeder, 1976. E-book kindle.

BRYSON, Ursula Franke. O Rio Nunca Olha para Trás. São Paulo: Editora Constelação Sistêmica. 2019.

CASTILO, Carola. Ecos do Passado: trabalho terapêutico sistêmico em constelações sistêmicas. 1 ed. Curitiba: Artêra : Appris, 2016.

EDWARDS, Gill. El Tríangulo Dramático de Karpman: Cómo transcender los roles de perguidor, salvador o víctima. Madrid: Cofás, 2011. E-book kindle.

FRANKE. Ursula. Quando Fecho os Olhos Vejo Você: As Constelações Familiares no Atendimento Individual. 2ed. Divinópolis: Atman, 2016.

GARRIGA, Joan. O amor que nos faz bem: quando um e um somam mais que dois. São Paulo: Planeta, 2014.

HELLINGER, Bert. O Amor de Espírito. 5d. Belo Horizonte: Atman, 2019.

RANAL, Marli A. Campo de ressonância sistêmica: fruto da imaginação ou realidade? Uberlândia: GW Publicações, 2017.

STAM, Jan Jacob. A alma do negócio: as constelações organizacionais na pratica. 3 ed. Belo Horizonte: Atman, 2017.

TOLLE, Eckhart. O Poder do Agora. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. E-book kindle.

______. Um Novo Mundo: o despertar de uma nova consciência. Rio de Janeiro: Sextante, 2011. E-book kindle.

______. Praticando o Poder do Agora. Rio de Janeiro: Sextante, 2016. E-book kindle.