Por Rosane Possamai de Freitas | Julho de 2021
A centelha divina, que habita em nós, traz a força para evoluirmos, com dignidade, respeito caminhando em sentido à vida, com energia positiva, olhando para frente e seguindo os passos rumo ao novo.
O constante crescimento evolutivo nos traz desafios a serem vistos, como em um jogo, que é preciso passar de fases para ganhar o prêmio, outra analogia que podemos fazer é relação à perda de peso e/ou definição do corpo, onde se faz necessário dieta, treino, dedicação, disciplina, avaliações físicas e mudanças de treino, assim o corpo recebe os diferentes estímulos, vai respondendo e os objetivos são alcançados.
Somos dignos de passarmos de fase, alcançando nossos objetivos, somos merecedores de recebermos as “premiações” que a vida tem para nos oferecer.
A dignidade que habita em nós traz honra e respeito, além da responsabilidade de mudança interna, em busca do crescimento.
Somos frutos da criação divina, esse sentir nos fortalece com responsabilidade, respeito e dignidade de seguir.
Segundo Castilho (2016, p.12), "o único fator que importa a vida é que todos nós sejamos atores plenos de dignidade e que, dentro do possível, vejamos com amor e respeito o que correspondeu a outros."
A responsabilidade de olhar e saber, o que compete à nós e aos outros, traz a leitura de que todos somos íntegros com os anseios da dignidade da nossa alma e propósito evolutivo.
Segundo o dicionário Aurélio, integridade é "o estado ou característica daquilo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição; plenitude, inteireza, também característica ou estado daquilo que se apresenta ileso, intato, que não foi atingido ou agredido.".
Por sermos parte do todo, somos seres divinos e dignos e a integridade fortalece, as escolhas em nossa vida.
“Integridade acontece na nossa vida quando encontramos e libertamos a nossa verdade, trazendo a tona quanto somos capazes de refletir, no mundo externo que enxergamos nas profundezas do nosso ser. A integridade se torna presente quando permitimos que a nossa essência divina se manifeste na nossa vida, sem procurar esconder, distorcer ou camuflar a nossa verdadeira face.” (GEBRIM, 2008, p. 83).
Seguindo o caminho da integridade o que é verdadeiro se apresenta e fortalece nossas atitudes e escolhas.
“Quando agimos com integridade, honramos a nossa verdade, agindo com como pessoas honestas, imparciais, sim, confiáveis e éticas. De repente nos sentimos capazes de cumprir o que prometemos, de manter em segredo, de agir com justiça e de ir de manifestar as mais belas qualidades do nosso eu superior.” (GEBRIM, 2008, p. 83).
Esse respeito a nossa dignidade e integridade, norteiam a lealdade conosco no seguir, na evolução, que, segundo o dicionário é o “respeito aos princípios e regras que norteiam a honra e a probidade, também a fidelidade aos compromissos assumidos.”
Esse respeito e a lealdade trazem uma força maior, onde é preciso estar em estado alerta, atentos a auto lealdade ou lealdades invisíveis.
Segundo Castilho (2016, p.19) as “lealdades invisíveis têm um efeito mais forte do que aquelas ações que podem ser observadas, ou que os padrões aprendidos que podem ser assumidos desde a informação biográfica.”
Em lealdades invisíveis, na relação casal, podem ocorrer separações, traições, ou o casal querer, mas não conseguir ter filhos, situações de violência (verbal ou física).
Com o recurso de constelação, através da fenomenologia e campos morfogenéticos, é possível identificar essas lealdades, trazendo assim o fenômeno à consciência, possibilitando escolhas diferentes, com integridade, dignidade e respeito.
Quando as ações podem ser observadas e informações são reveladas, trazemos para a consciência, e isto permite escolhas com possibilidades de novos caminhos.
“Quando possuímos um alto nível de consciência, deixamos de simplesmente “reagir“ aos acontecimentos da vida e passamos “agir“ como seres que percebem a si mesmos e são capazes de fazer escolhas.“ (GEBRIM, 2008, p. 46).
De acordo com Castilho (2016, p.25), Consciência é o sentido social por meio do qual se equilibram nossas relações com diferentes grupos.
Em uma relação de casal, o homem, marido e a mulher, esposa, ao unirem-se, estão unindo os seus respectivos sistemas familiares, ao ter esta consciência, que cada um tem crenças, valores e hábitos diferentes, é possível ter equilíbrio.
Por pertencermos a estes sistemas e estarmos formando um novo sistema, estamos na boa consciência, onde repetimos padrões do sistema anterior, seguindo a ordem.
Além da boa consciência, existe a má consciência, normalmente estamos a maior parte do tempo na boa consciência, onde agimos de acordo com o grupo em que estamos inseridos.
"Nossa consciência é derivada do grupo familiar a que pertencemos. Quando repetimos as mesmas dinâmicas que prevalecem em nosso sistema, nos sentimos bem, temos boa consciência, Mas, quando fazemos algo que não prevaleceu, nos sentimos diferentes, e isso se chama de má consciência." (CASTILHO, 2016, p. 24).
Para agir com a má consciência, a auto lealdade e auto integridade são acionadas, onde todos somos capazes e temos recursos para evoluir e conquistar nossos objetivos.
A constelações sistêmicas, possibilitam o contato com o que foi, identificando o que aconteceu, acessando as informações e permitindo um novo estado de consciência, que conforme Stam (2017, p.49), ao estar em contato com a realidade, [...] você acha uma nova força e permanece em contato com a corrente da vida.
Esta força, se torna interna, permitindo o foco e direcionamento para fazer novas escolhas e conquistar nossos objetivos na evolução da vida.
Nessa corrente da vida, a dignidade, integridade e lealdade com a força interna, em busca da evolução, crescimento, são fundamentais.
Força interna, segundo Castilho (2016, p. 20), através da apresentação das terapias familiar sistêmica, de acordo com Virgínia Sátir (1916-1988):
Essa força interna, faz com que eu me veja com dignidade e o outro também, reconhecendo as possibilidades de seguir de forma digna, onde ao reconhecermos nossas fraquezas nos fortalecemos, e crescemos, cada um no seu destino.
Nossa individualidade é sagrada!
REFERÊNCIAS
CASTILO, Carola. Ecos do Passado: trabalho terapêutico sistêmico em constelações sistêmicas. 1 ed. Curitiba: Artêra : Appris, 2016.
GARRIGA, Joan. O amor que nos faz bem: quando um e um somam mais que dois. São Paulo: Planeta, 2014.
GEBRIM, Patricia. Jardim dos Anjos: um caminho para despertar o seu interior. São Paulo: Pensamentos, 2008.
HELLINGER, Bert. Do centro sentimos leveza: conferências e histórias. São Paulo: Cultrix, 2006.
HELLINGER, Bert; WEBER, Gunthard e BEAUMONT, Hunter. A simetria oculta no amor: por que o amor faz os relacionamentos darem certo. São Paulo: Cultrix, 2006.
HELLINGER, Bert; HÖVEL, Gabriele Ten. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. São Paulo: Cultrix, 2007.
HELLINGER, Bert. Ordens do amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo: Cultrix, 2007.
____. Ordens do Sucesso: êxito na vida, êxito na profissão. Goiânia: Atman, 2011.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
RANAL, Marli A. Campo de ressonância sistêmica: fruto da imaginação ou realidade? Uberlândia: GW Publicações, 2017.
STAM, Jan Jacob. A alma do negócio: as constelações organizacionais na pratica. 3 ed. Belo Horizonte: Atman, 2017.