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Por Rosane Possamai de Freitas | Setembro de 2021

 

Estamos na vida e a maior parte do tempo, estamos nos relacionando. Nessas conexões, vezes ou outra ocorrem ruídos, distorções, por vezes não entendemos bem e/ou não somos entendidos. Desta forma, não conseguimos fazer contato, é o que acontece, quando:

  1. Memórias podem ser acionadas. Através da pessoa que estou em contato, tenho uma projeção de algo que aconteceu no passado, sentindo assim, as mesmas sensações;
  2. Realmente não queremos fazer contato, caso algo tenha acontecido com a pessoa em questão;
  3. Estamos dentro de nós, em algo do passado ou do futuro, assim não estou no presente de realmente estar no aqui e agora.

 

Segundo Virginia Satir, primeiro preciso me reconectar comigo mesma, assim o meu nível de auto estima e autovalor fica mais elevado e em presença.

Como faço isso?

  1. Mantra da Presença: Eu, Aqui e Agora, com movimento somático (movimento do corpo);
  2. Quando estiver conectado com outra pessoa, fazer o mantra da presença para mim e para a outra pessoa. Eu, Aqui e Agora. Você (falo o nome da pessoa), Aqui e Agora;
  3. Ter a coragem de correr Risco, abrir o coração, criando significados positivos em qualquer situação.

 

Com objetivo de:

  1. Nutrir a congruência em nós e na comunicação com os outros;
  2. Preciso ter a auto estima elevada, com ela elevada, sou congruente;
  3. Auto responsabilidade, nos tornando responsáveis em todas as áreas da vida, aprendendo responder ao invés de reagir;
  4. Nos tornar a pessoa que toma suas próprias decisões.

 

Quando estamos em paz dentro de nós, estamos em paz entre as relações, e em paz com o todo. Quando eu cresço, o outro também cresce.

O desafio está na transição de uma visão hierárquica para a orgânica, uma vez que, na hierárquica, é importante seguir um padrão, de bom e ruim, de certo e errado, além do que se espera de cada ser, dentro de um retrato pré-definido, fazendo que nos sintamos pertencentes, o que gera um conflito, por abafarmos quem realmente somos, enquanto que, sob o aspecto da visão orgânica, cada ser é único, e possui sua estrela interna, uma luz que é a nossa identidade expressada nesta unicidade, com o símbolo da igualdade.

Na visão hierárquica, o novo é visto com resistência, é visto como uma traição às regras novas. A energia fica à serviço da resistência à mudança. No orgânico, posso perguntar o que faz sentindo para mim, conectado com o Eu, Aqui e Agora.

Assim sendo, o olhar orgânico baseia-se em quatro elementos:

  1. Definição de uma pessoa;
  2. Definição de uma relação;
  3. Compreensão ou modo que cada um entende um evento;
  4. Atitude que temos para a mudança.

 

Nossas atitudes, sob o aspecto orgânico, seguem o reconhecimento:

  • Eu vejo você;
  • Eu reconheço que você tem algo parecido comigo;
  • Eu sei que Eu sou Eu, e que Você é Você.

 

Reconhecendo que cada indivíduo tem uma qualidade única, assim nos abrimos para a compreensão dos diferentes, compreendendo mais o outro e suas diferenças. Posso discordar, sempre respeitando as diferenças, assim nos abrimos mais para a aceitação.

O que o outro faz, faz com que eu desperte minhas memórias, memorias de aprendizado, do que é permitido ou não, através dos olhos da família e o que filmamos do mundo.

Quanto mais conexão e clareza da visão orgânica, maior a aceitação do diferente. Todas as pessoas são capazes de crescer e se desenvolver e nos abrimos para ter essa atitude em relação a mudança.

Nesta visão, a conexão com a auto responsabilidade possibilita a paz. Segundo o modelo de Virginia Satir e Eva Wieprecht, abaixo segue o recurso COACH:

COACH, com movimentos somáticos e congruentes:
C – CENTER - Centrado;
O – OPEN - Aberto;
A – AWARENESS - Consciente;
C – CONECTED - Conectado;
H – HOLDING - Acolhendo.

 

Centrado, me abro, em consciência, conectado comigo, com você, com tudo o que veio antes, com a nave mãe, abraçando e acolhendo a mim mesmo, os aprendizados, os acontecimentos e todos os sentimentos.

Nesse estado COACH, conectamos e expressarmos toda nossa potencialidade de sermos nós mesmos, íntegros, adentrando no caminho de sermos nós, tornarmos seres humanos.

Neste estado de consciência do COACH, estamos presentes e conectados, centrados e com clareza, possibilitando perceber o que querem de nós, e o que realmente faz sentido para nossa essência de ser, nosso estado de ser no aqui e agora, em congruência com meu ser, na auto responsabilidade de escolher, assim a mudança acontece.

Segundo o modelo de Virginia Satir, algo aconteceu aqui, me pergunto, como isso se conecta com meu passado e como se conecta com meu estado interior.

Em contato com o estado interior, temos clareza que a energia da vida flui para nós o tempo todo, e que somos a manifestação corporal da força universal. Nessa força universal, nos conectamos com o Milagre da Vida.

No milagre da vida, cada ser é único, sob este aspecto, ao olharmos nos olhos do outro, as janelas da alma se abrem. Ao estarmos em par, olhamos no mesmo nível. É possível dizer: “Enquanto vejo você fazer “isso”, algo acontece em mim, provavelmente você me lembra algo do passado, e talvez não esteja presente, ou outros tantos motivos”. No estado COACH, escolho como responder a esta situação.

O mais importante é a qualidade de presença. Em pares, através da convivência, ao recebermos as águas da validação, crescemos, criamos ambientes, que nutrem e assim temos vontade de crescer naturalmente. Em exercícios de espelhamento, é possível percebermos a existência, através da fala um para o outro: “Eu existo através de você e você existe através de mim, assim nutrimos a auto presença”.

A convivência, é que nos possibilita experiências, e estas nos tornam mais vivos, maiores, em um crescimento mútuo.

Quando nos deparamos em situações com regras sociais de pertencimento, vamos fazendo adaptações, que são maneiras que transitam entre extremos de rebeldia ou submissão para sobreviver, chamadas posturas de sobrevivência, e isso faz com que mesmo de maneira disfuncional, nós sobrevivamos. Essas maneiras de sobrevivência são quatro:

  1. Acusador: Projetamos e culpamos os outros;

Por trás do acusador, existem sementes para a assertividade e limites.

  1. Apaziguador: Não nos vemos, pegamos tudo para nós;

O apaziguador, possui sementes de compaixão, amor e conexão.

  1. Super computador: Sabemos tudo, não precisamos do outro;

As sementes do super computador, são a inteligência, consciência, percepção, e a capacidade de ver e abençoar.

  1. Distraído: Nada nos interessa, tudo está o contexto.

No estado distraído, as sementes são: aterramento, expansão, flexibilidade, magia, criatividade e jeito brincalhão, o que permite olhar para novas perspectivas.

 

Essas quatro formas de sobrevivência, quando conectadas com suas sementes, despertam as possíveis soluções de respostas e escolhas, para isso o estado de presença é fundamental, neste constante processo de despertar.

Neste processo de despertar, é interessante adotarmos como prática: “Eu, Aqui, Agora”, e “Eu vejo o que vejo, Eu, ouço o que ouço, Eu, sinto o que sinto”, nos conectando cada vez mais com nossa presença.

Segundo Virginia Satir, existem regras subjetivas para as famílias, onde é possível transformar regras em liberdade:

  • Eu estou livre para ver o que eu vejo;
  • Eu estou livre para ouvir o que ouço;
  • Eu estou livre para sentir o que eu sinto;
  • Eu sou livre para falar sobre o que eu vejo, ouço e sinto.

 

Quando nos permitirmos ver, ouvir e sentir, detectamos medo, ao adentrar por um território desconhecido, ou raiva, quando violamos nosso limites, perdendo algo que amamos.

Abrindo nosso coração, é possível:

  • Sinto o seu Medo;
  • Sinto sua Raiva;
  • Sinto sua Tristeza;
  • Sinto sua Alegria;
  • Sinto tudo isso.

 

Quando a energia da emoção surge, colocamos nossa força contra ela de três formas: Ignorando, negando ou projetando, neste momento é que as posturas de sobrevivência surgem. Quando escolhemos fazer contato, abrindo nosso coração, “eu vejo, eu sinto, eu gostaria de entender a mensagem que você está trazendo e quero me conectar na presença”, acessamos a mensagem que nossas emoções estão trazendo, acolhendo-as em conexão com a essência de nosso ser.

Nesse contexto, vamos acessando nossas partes, essas, se transformam em outra parte, com mais energia, se conectando com a plenitude do ser.

Essas partes, quando isoladas são nossas sombras, e quando não estamos centrados, conectados com nossa essência de ser, acolhendo-as, elas tomarão conta e assumirão nosso poder, sem percebermos, assim, estaremos reagindo pelo modo dos estados de sobrevivência.

Ao identificarmos essas partes, com amor, abrindo nosso coração, sentindo o que sentimos no momento, é possível centrados e conectados som nosso self, essência do nosso ser, a manifestação da vida, a energia vital, escolhendo respostas no fluxo da vida.

Ao nos conectarmos com nossa essência de ser, é possível falarmos, com as mãos no coração: “eu dou permissão para sentir o que eu sinto, eu escolho sentir o que eu sinto agora, eu escolho sentir agora, com quem, o que, e por quanto tempo, eu abro e eu fecho”.

Quando escolho, me torno mais flexível e livre, assim corremos o risco de fazermos algo novo, sendo nossos próprios amigos, não importando o resultado, falando para nós mesmos: “Seja o que for obrigado por ter tentado, sinto, por não ter sido bem-sucedida e assim seguimos até celebrarmos juntos. Obrigado por experimentar, continue, eu te amo, continue, não importa o que aconteça”.

Cada vez que escolhemos, mais conectados com o nosso eu autêntico, onde, fazemos o que fazemos da nossa maneira, fazemos e nos libertamos um pouco mais, assim criamos a evolução.

*Artigo desenvolvido para a conclusão do módulo de Validação Humana nas Constelações, conduzido por Eva Wieprecht e Eunice Brito, pela UCS - Universidade de Caxias do Sul e CELPI.

 

REFERÊNCIAS

HELLINGER, Bert. Ordens do Sucesso: Êxito na Vida, Êxito na Profissão. 8 ed. Belo Horizonte: Atman, 2020.

LIPTON, Bruce H. A Biologia da Crença: ciência e espiritualidade na mesma sintonia : o poder da consciência sobre a matéria e os milagres. 1 ed. São Paulo: Butterfly Editora, 2007.

TOLLE, Eckhart. O Poder do Silêncio. Rio de Janeiro: Sextante, 2016.